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Monstro: Lizzie Borden — quem Sarah Paulson interpreta

14/09/2026 · por Julião

🪓 Tem uma mulher no trailer de “Monstro: A História de Lizzie Borden” que não tem nada a ver com 1892. É Sarah Paulson — e a pessoa real que ela interpreta, Aileen Wuornos, cometeu os crimes dela quase cem anos depois do caso de Fall River.

A revelação não é spoiler de episódio: ela está no trailer oficial da temporada, e a própria Netflix publicou no Tudum um artigo dedicado a explicar quem é a personagem de Paulson. O que quase nenhuma cobertura em português fez foi a parte seguinte — explicar quem foi Wuornos, por que ela aparece numa série ambientada no século 19 e por que o nome da antologia já bateu com o nome de um filme sobre ela.

E não para em duas. Segundo o JoBlo, que assistiu ao mesmo trailer, a temporada ainda traz uma terceira figura real interpretada por Vicky Krieps — em papel duplo. Neste post você vai entender quem são as três, o que está confirmado sobre cada uma, o que continua desconhecido a três dias da estreia e por que Lizzie Borden, apesar do título da série, nunca foi condenada por nada.

Quem é a segunda criminosa do trailer: Aileen Wuornos

Comecemos pelo fato mais direto: Sarah Paulson interpreta Aileen Wuornos. Isso é informação confirmada — aparece no trailer oficial, na cobertura da imprensa internacional e num artigo dedicado da própria Netflix no Tudum.

O caso real, em resumo e sem rodeio:

  • Wuornos matou a tiros sete homens, clientes seus, enquanto se prostituía em rodovias da Flórida, nos Estados Unidos, entre 1989 e 1990.
  • Foi presa em 09 de janeiro de 1991.
  • Confessou sete assassinatos, mas foi condenada por seis homicídios em primeiro grau — não houve acusação pela morte de uma das vítimas, cujo corpo nunca foi encontrado.
  • Recebeu seis sentenças de morte.
  • Foi executada em 09 de outubro de 2002, por injeção letal, na Florida State Prison, em Raiford.

É o tipo de detalhe que sai errado com facilidade, porque confissão e condenação não são a mesma coisa. O número judicial correto é seis.

Vale marcar aqui uma diferença de vocabulário que vai valer para o post inteiro: o caso de Aileen Wuornos está judicialmente encerrado — ela foi julgada, condenada e executada. O caso de Lizzie Borden, não. São duas situações opostas dentro da mesma temporada, e tratar as duas com a mesma palavra seria simplesmente errado.

As vítimas de Wuornos eram pessoas reais, com nome e família. Este post não vai reconstituir cena nenhuma, nem da série nem da vida real — o que interessa aqui é entender por que essa história está dentro de uma produção sobre 1892.

Por que uma criminosa dos anos 1990 aparece numa série sobre 1892

A resposta curta: porque, segundo o TheWrap, a Netflix descreve esta temporada como algo que vai além do caso Borden — a ideia é mostrar a influência de Lizzie sobre criminosas que vieram muito depois, posicionando-a como uma espécie de ícone.

A resposta mais interessante veio da atriz que faz Lizzie. Em entrevista ao PinkNews publicada em 21 de agosto de 2026, Ella Beatty definiu a temporada assim: a série “está explorando um legado de fúria feminina e de reação ao conjunto de circunstâncias que essas mulheres enfrentam”. A frase é dela, a atriz — não é texto oficial da Netflix, e vale a pena guardar essa distinção porque ela circula por aí como se fosse comunicado da plataforma.

Na prática, isso significa que a temporada não é um “true crime” linear de um caso só. Ela pula de época. Segundo a imprensa que assistiu ao trailer, as cenas de Wuornos se passam décadas depois do caso de Fall River — e no próprio trailer a personagem de Paulson aparece dentro da casa dos Borden, algo que a cobertura descreveu como “aparentemente uma visita”. Ou seja: um recurso narrativo, não uma cronologia realista.

O ano exato em que essas cenas se ambientam não foi divulgado. Nem pela Netflix, nem pela imprensa. É uma das várias coisas que só vão ficar claras quando os oito episódios estiverem no ar.

Isso muda um pouco a expectativa de quem vai dar play. Se você entrou esperando oito episódios de tribunal em Massachusetts, o trailer já avisa que não é isso — a temporada usa o caso de 1892 como ponto de partida para algo maior, e essa escolha é justamente o que pode dividir opiniões.

A coincidência com “Monster”: o filme de 2003 sobre a mesma mulher

Aqui está a curiosidade que quase ninguém comentou em português, e ela é boa demais para passar batido: Aileen Wuornos já foi personagem-título de um filme chamado “Monster”.

O longa é de 2003, dirigido por Patty Jenkins, com Charlize Theron no papel de Wuornos. Pela atuação, Theron venceu o Oscar de Melhor Atriz na cerimônia de 2004 — informação que você confere na própria base da Academia, no Oscars.org.

Agora junte as peças: a antologia da Netflix se chama “Monster” no original (“Monstro” no Brasil). Vinte e três anos depois do filme, a mulher que deu título a um “Monster” vira personagem de outro “Monster” — desta vez interpretada por Sarah Paulson.

Uma ressalva importante, porque ela é o tipo de coisa que vira boato em três compartilhamentos: nenhuma fonte desta apuração diz que a coincidência é intencional. Ninguém da produção — nem Ryan Murphy, nem Ian Brennan, nem a Netflix — comentou publicamente o nome do filme de 2003. A ponte mais próxima disso é neutra: o JoBlo apenas descreve Wuornos como “a serial killer da vida real anteriormente interpretada por Charlize Theron”.

Então trate como o que é: uma coincidência observável e ótima de notar, não uma homenagem confirmada. Se algum perfil te disser que a Netflix “provocou” o filme de Patty Jenkins, é invenção — até segunda ordem.

Para quem quiser fazer o dever de casa antes de 17/09, o filme de 2003 é a referência óbvia de comparação. Guardar “Monster” na sua lista de filmes para ver é o tipo de coisa que dá contexto real para julgar o que Paulson faz de diferente do que Theron fez.

Sarah Paulson e Ryan Murphy: uma parceria de mais de uma década

A escalação de Sarah Paulson surpreende pelo personagem, não pelo nome. Ela é uma das colaboradoras mais recorrentes de Ryan Murphy — e isso é fato consolidado, não leitura de fã.

A dupla trabalha junta em American Horror Story desde 2011, onde Paulson atravessou temporadas inteiras em papéis completamente diferentes. E foi em outra antologia de Murphy, American Crime Story, que ela venceu o Emmy interpretando a promotora Marcia Clark.

Ou seja: quando o nome dela aparece num projeto assinado por Murphy, a notícia costuma ser qual personagem, não se ela está. Neste caso, a resposta é uma figura real, encerrada judicialmente, muito distante do recorte de época da temporada.

Vale lembrar como o crédito da temporada está montado, porque circula simplificado: “Monstro” é uma antologia de Ryan Murphy e Ian Brennan. A imprensa brasileira credita a dupla; a ficha da Wikipedia em inglês e o TMDB creditam Ian Brennan como criador e showrunner desta temporada específica, com Murphy na antologia. Dizer “a nova série de Ryan Murphy” não está errado, mas é incompleto.

O elenco confirmado ao redor de Paulson é forte, e ele diz bastante sobre o tamanho da aposta:

  • Ella Beatty como Lizzie Borden
  • Charlie Hunnam como Andrew Borden, o pai
  • Rebecca Hall como Abby Borden, a madrasta
  • Vicky Krieps como Bridget “Maggie” Sullivan, a empregada da casa
  • Billie Lourd como Emma Borden, a irmã
  • Jessica Barden como Nance O’Neil, atriz de teatro
  • Joey Pollari como John Morse, o tio

A terceira figura: Vicky Krieps em papel duplo

Repare de novo na lista acima: Vicky Krieps está creditada como Bridget Sullivan, a empregada dos Borden. Só que esse não é o único papel dela na temporada.

Segundo o JoBlo, a Wikipedia em inglês e o Bloody Disgusting — três fontes concordantes —, Krieps interpreta também Elizabeth Báthory, condessa húngara, em papel duplo. Com isso, a temporada reúne três figuras reais distintas: Lizzie Borden, Aileen Wuornos e Báthory.

Aqui a linguagem precisa ser cuidadosa, e é de propósito. O próprio texto do JoBlo descreve Báthory como uma nobre “cercada por séculos de acusações” — formulação que existe justamente porque o caso dela é historicamente disputado. Neste post, ela é tratada com o mesmo cuidado aplicado a Lizzie: figura cercada de acusações, não culpada confirmada.

E é só isso que dá para dizer com honestidade hoje. Como Báthory entra na trama, em quantas cenas, em que época, se conversa com as outras duas — nada disso foi divulgado. Também não há informação sobre em quantos episódios Sarah Paulson aparece. Zero. Nenhuma fonte disse, então qualquer post que te prometa “participação especial” ou “só no último episódio” está chutando.

O que dá para observar é o desenho: uma temporada que parte de um caso de 1892 e costura nele mais duas figuras femininas de séculos diferentes. Se isso vai funcionar como estrutura ou soar como colagem, é exatamente o tipo de pergunta que ninguém pode responder antes de 17 de setembro — inclusive porque, em 14/09, o Rotten Tomatoes ainda marcava zero críticas e zero avaliações para a temporada.

Lizzie continua “a absolvida” — e isso importa mais do que parece

Fecha-se o círculo no ponto mais delicado da temporada: Lizzie Borden foi julgada e absolvida.

Os fatos do caso real, todos confirmados: o crime aconteceu em 04 de agosto de 1892, em Fall River, Massachusetts. As vítimas foram Andrew Jackson Borden, pai de Lizzie, e Abby Durfee Gray Borden, madrasta dela — não a mãe. O julgamento correu de 05 a 20 de junho de 1893 e terminou em absolvição. Ninguém mais foi acusado ou condenado pelo crime, que permanece oficialmente sem solução até hoje.

A rima infantil que todo mundo conhece — a dos “quarenta golpes” — é folclore, e erra dois fatos ao mesmo tempo: fala em 81 golpes quando a autópsia registrou cerca de 29 (18 a 19 em Abby, 10 a 11 em Andrew), e chama Abby de “mãe” quando ela era madrasta.

Isso cria uma situação curiosa para a série. Algumas fichas de catálogo descrevem a temporada dizendo que Lizzie “mata os pais” — isso é a tese que a ficção adota, não um fato histórico estabelecido. A diferença não é preciosismo: é a diferença entre contar um caso encerrado e contar uma hipótese sobre um caso em aberto.

E é aí que o contraste dentro da própria temporada fica interessante. Wuornos é caso encerrado. Báthory é disputa histórica de séculos. Lizzie é absolvição com o caso em aberto. Três estatutos completamente diferentes sob um único título que chama todas de “monstro”.

Segundo o Omelete, a produção promete revisitar o crime com humor ácido e abordagem feminista — e esta é a primeira temporada da antologia com uma mulher no centro, depois de Dahmer (2022), Menendez (2024) e Ed Gein (2025).

Se a ideia for chegar em 17/09 com a antologia em dia, registrar quais temporadas de “Monstro” você já assistiu resolve melhor que aquela dúvida de “será que eu terminei Ed Gein ou parei no quinto episódio?”.

Perguntas frequentes

Sarah Paulson interpreta quem em Monstro: A História de Lizzie Borden?

Ela interpreta Aileen Wuornos, condenada por seis homicídios cometidos na Flórida entre 1989 e 1990 e executada em 2002. A informação está no trailer oficial e num artigo do Tudum, da própria Netflix. Em quantos episódios ela aparece não foi divulgado por nenhuma fonte até 14/09/2026.

Quantos episódios tem a temporada e quando estreia?

São 8 episódios, todos liberados de uma só vez no dia 17 de setembro de 2026, uma quinta-feira, na Netflix. Não há lançamento semanal: a temporada inteira entra no mesmo dia, no formato de maratona que a antologia já usou nas temporadas anteriores.

Lizzie Borden foi condenada pelo crime de 1892?

Não há condenação. Ela foi julgada em 1893 e absolvida, e ninguém mais foi acusado ou condenado pelas mortes de Andrew e Abby Borden — o caso segue oficialmente sem solução. Sinopses de catálogo que afirmam a culpa dela estão descrevendo a tese da ficção, não o registro histórico.

Resumindo o que está confirmado a três dias da estreia: “Monstro: A História de Lizzie Borden” chega em 17/09/2026 com 8 episódios de uma vez e três figuras reais dentro dela — Lizzie Borden (absolvida em 1893), Aileen Wuornos interpretada por Sarah Paulson (condenada por seis homicídios e executada em 2002) e Elizabeth Báthory, vivida por Vicky Krieps em papel duplo. Não existe crítica publicada, não existe nota de agregador e não se sabe em quantos episódios Paulson aparece.

(Se quiser não depender da memória, dá para marcar a estreia de 17/09 na sua lista da Maratona e receber o aviso no dia certo, em vez de descobrir a série três semanas depois pelo feed.)

Agora a decisão é sua, e ela é bem concreta: você vai queimar os 8 episódios de uma vez na quinta-feira, ou racionar um por noite para a temporada durar mais de uma semana? Escolha um dos dois antes de apertar o play — porque, com tudo liberado no mesmo dia, essa escolha você toma sozinho e não tem como voltar atrás depois do terceiro episódio.